Como é difícil ser homem!

Estar sempre pronto para o sexo;

Não falhar nunca;

Não se esquivar diante de uma oportunidade sexual;

Ficar um tempão na penetração sem chegar à ejaculação;

Ter duas, três relações ou mais na mesma noite;

Ter ereções firmes diante de qualquer estímulo sexual;

Fazer a parceira gozar em todas as relações sexuais;

Ufa!!!!!!!  E por aí vai!!!

São tantas as cobranças e expectativas de um bom desempenho sexual que fico me perguntando: onde está este homem que a sociedade cria?

Sei que ele não existe, mas o difícil é fazer as pessoas acreditarem nisso!

Um dos fatores responsáveis pela nossa satisfação sexual, é a maneira pela qual aprendemos a ver o sexo. Na sociedade machista em que vivemos, aprendemos a vê-lo de uma forma muito mais quantitativa do que qualitativa. O que importa é quanto tempo dura a ereção, quantos orgasmos a mulher tem, quanto tempo se leva até chegar à ejaculação, com quantas mulheres o homem já transou e tudo o mais que se refere a números, números e números.

Desde os filmes eróticos até os comentários feitos por aqueles que já iniciaram sua vida sexual, os adolescentes aprendem um sexo baseado na boa performance. E assim passam a vida inteira atrás desse modelo que ficou internalizado. Cobranças, expectativas de satisfazer a parceira e o medo do que ela irá falar dele caso não seja “bom de cama”.

Nos filmes eróticos aprendem a valorizar a penetração pois raramente é mostrado algo além dela. O que encanta quem assiste é a rapidez em que se alcança a ereção, o quanto ela é duradoura e quantas vezes a mulher goza com gritos frenéticos de prazer!

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Todo e qualquer comentário a respeito de sexo traz uma referência do chamado “macho alpha” que é aquele homem que possui uma elevada capacidade de sedução e conquista, grande virilidade, boa aparência e é bem-sucedido.  É o homem que faz as mulheres suspirarem de tanto desejo!

Toda essa expectativa de um bom desempenho tende a fazer com que ocorra exatamente o contrário pois as nossas respostas sexuais não obedecem aos nossos comandos. Quanto mais se deseja ter uma ereção, menos ela acontece; quanto mais se espera demorar a ejacular mais rápido a ejaculação ocorre e assim por diante em todas as nossas respostas sexuais.

Quando o homem passa por qualquer dificuldade na relação ele imediatamente procura um médico, na expectativa de restabelecer a sua condição de uma boa ereção ou de controlar a sua ejaculação. A frustração costuma ficar maior quando não encontra solução, uma vez que o tratamento acaba se baseando no uso de medicamentos. Na maioria dos casos em que há uma disfunção sexual, não são encontradas causas físicas.

Portanto não deveriam ser tratadas com medicamentos pois esses só irão causar uma dependência quando proporcionam alguma ajuda. Após pouco tempo de uso desses medicamentos o homem já não consegue ter uma relação se não usar o medicamento que, às vezes já nem faz mais efeito. Faltam informações adequadas sobre sexo e como se dão as nossas reações sexuais.

Meu deus! Como é difícil ser esse homem!

Quando será que homens e mulheres irão aprender um sexo com mais qualidade?

Um sexo em que cada um consiga focar a atenção nas suas próprias sensações eróticas ao invés de uma expectativa de satisfazer o outro! O sexo deveria ser algo que proporcionasse prazer, excitação, aconchego, relaxamento e uma sensação de bem-estar quando ele termina. No entanto, devido à forma que ele é aprendido, acaba proporcionando justamente o contrário em uma grande parte das pessoas, sejam homens ou mulheres. Desta forma ele é vivido com desprazer, tensão ao invés de tesão, ansiedade, desconforto e uma enorme sensação de inadequação e de inferioridade quando o homem não sequer se aproxima do modelo interiorizado.

É impressionante como décadas e décadas se passam e as pessoas continuam tendo os mesmo problemas e dificuldades sexuais justamente em função da referência sexual que internalizam.

Em caso de dúvidas, insatisfação sexual e falta de conhecimento adequado, procure um profissional apto para que possa ser auxiliado e consiga fugir do padrão “alpha” aprendendo a ser um homem mais pleno e satisfeito sexualmente!

sexologa (1)