Revolver, dos Beatles: cinquentão

Discutir qual o melhor disco dos Beatles invariavelmente acaba em um grande nada. Cada um tem uma opinião e os próprios motivos para eleger esse ou aquele como a melhor obra da banda.

Cinquenta anos atrás chegava às lojas o disco Revolver, que com canções como Eleanor Rigby, Here, There and Everywhere e I’m Only Sleeping, revelava um quarteto muito mais amadurecido e disposto a mudar os rumos do que fora lançado até então. Ainda que o CD anterior, Rubber Soul, já indicasse uma transformação pela qual a banda passava, Revolver vinha com uma rebeldia, como uma mudança vultuosa. Deixavam para trás os sons adolescentes, com letras e arranjos mais pueris, para apresentarem novos sons, muitas vezes experimentais, a um público já fiel.

Revolver mostrou um grupo disposto e sedento por absorver as influências que se descortinavam para eles. George Harrison, com um interesse crescente pela cultura indiana, incorporou passagens com cítaras às faixas, como em Tomorrow Never Knows — que toca por alguns segundos no episódio Lady Lazarus de Mad Men, ao custo de “módicos” US$ 250 mil, uma das maiores cifras desembolsadas por uma música no mundo do entretenimento. A convivência com LSD e outras drogas também surge nas letras de algumas músicas, como em Doctor Robert (que, especula-se, é pseudônimo para John  Riley, tido como responsável por introduzi-lo ao LSD), em Got to Get You Into My Life e em Yellow Submarine Toda a psicodelia experimental e os sons “desencontrados”, muito diferentes dos caminhos percorridos anteriormente pelo grupo, resultam dessa entrada (sem volta) num mundo lisérgico, sensorial, com muita influência oriental.

John e Paul, estimulados por George e por todas as outras referências que brotavam em profusão, também se aproximavam de sons que flertavam com o orientalismo e a psicodelia. Um dos maiores hinos dos Beatles, Eleanor Rigby, trazia uma mescla de música pop com rock e, principalmente, com música clássica. Afora tudo isso, outras experimentações foram registradas em Revolver: efeitos sonoros, percussão, sons de metais, passagens de guitarra invertidas… Tudo anunciava uma banda mais madura, confiante em testar sons próprios, novos, desconhecidos até então. Prontos para se eternizarem.

https://www.youtube.com/watch?v=afddyqxT1To

Tomorrow Never Knows no episódio Lady Lazarus, de Mad Men: liberada por US$ 250 mil. Uma das músicas mais caras do mundo do entretenimento