Arte erótica é destaque no trabalho do ilustrador Bräo

A paixão pelos quadrinhos é uma constante na vida de Bräo. O ilustrador paulistano, que foi destaque na seção Coelhinha da edição 490, com a modelo Marina Dias na capa, conta que sempre desenhou e é apaixonado por histórias em quadrinhos desde a infância.

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Para a PLAYBOY, Bräo desenhou a coelhinha em lápis e caneta nanquim (Foto: PLAYBOY / Bräo)

Foi na adolescência que o ilustrador teve seu primeiro contato com os artistas eróticos, como Milo Manara. Nessa época surgiu também a vontade de se tornar um desenhista de quadrinhos.

No início da carreira, no entanto, o ilustrador acabou migrando para a área de animação e foi estudar no exterior. “Quando voltei ao Brasil percorri produtoras, cheguei a abrir um estúdio meu só trabalhando com animação para publicidade”, destaca.

Com uma rotina que requer desenhar basicamente no computador, Bräo manteve a veia quadrinista adormecida por uma década. “Até que essa rotina me encheu o saco e voltei a desenhar há uns seis anos. De lá pra cá voltei a investir o meu tempo em desenhar diariamente.”

Tendo como inspiração artistas que trabalham com o erótico, como Bill Sienkiewicz, Jean Giraud (conhecido também pelos pseudônimos Moebius e Gir) e Guido Crepax, o ilustrador conta que busca trabalhar de forma fluida e livre. “Eles contribuem no meu trabalho pela liberdade que eles têm para desenhar. Muitos artistas seguem um livrinho de regras e eu não gosto disso. Eu acho que luto com isso, que eu gostaria de ser esses caras. Eu ainda sigo um certo conjunto de regras, mas eu procuro evitar isso e ir para outros caminhos, então eu tenho eles em mente sempre”, destaca.

Histórias e sensações

Retomando uma paixão de vida e inspirado, principalmente, por esses três artistas, Bräo entrou aos poucos no mundo da arte erótica. Foi assim que surgiu Bad Wömen – Vol. 1, seu primeiro trabalho como ilustrador de arte erótica, lançado há dois anos.

O livro, já com tiragem esgotada, reuniu diversos sketches, rabiscos e pinturas inspiradas no feminino feitas durante seu tempo livre. “Fiquei 10 anos sem desenhar por conta do trabalho. E como ainda trabalho no mercado de animação, eu preencho diversos sketchebooks com os meus desenhos para não perder a prática e me inspirar. No lançamento do primeiro volume de Bad Wömen vi que, por menor que fosse, tinha um público ali interessado nesse segmento.”

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Bad Wömen Vol. 1 foi publicado depois que Bräo arrecadou verba em um site de crowdfunding há dois anos (foto: Reprodução / Bräo)

A experiência positiva o levou a lançar seu primeiro livro de HQ erótica, o Cornucópia. O lançamento é resultado de uma vontade pessoal do ilustrador de tentar criar sensações nos leitores.

“Mais do que contar uma história em si, eu queria fazer algo que fosse diferente do que está sendo feito aqui no Brasil em termos de quadrinhos. Eu tenho contato até que próximo com quadrinistas independentes e eu sempre sinto que vejo pouca gente explorando outros caminhos. Eu queria criar uma sensação e dentro dessa sensação às vezes deixar a pessoa chocada e ao mesmo tempo excitada, trazer um pouco dos dois e criar esse misto de sensações”, destaca.

O livro foi indicado ao prêmio HQMix como Melhor Publicação Erótica de 2015 e o ajudou conquistar de vez espaço e reconhecimento de leitores e artistas do segmento.

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Cornucópia foi o primeiro livro lançado por Bräo, que busca causar sensações nos leitores (Foto: Reprodução / Bräo)

Bad Wömen Vol. 2

Depois do sucesso de Cornucópia, Bräo retorna com seu projeto de sketches e está em busca de financiamento coletivo para lançar Bad Wömen Vol. 2. O artista está com um projeto em um site de crowdfunding para arrecadar o valor necessário disponível até 12 de setembro às 23h59.

Na visão do ilustrador, uma das evoluções nesta terceira publicação é a maior sensibilidade em relação ao traço, corpo e olhar da mulher. “É uma coisa que já era marcante no primeiro. Não é simplesmente tratar o corpo da mulher como um objeto, mas tentar mostrar que ela tem uma chama, que ela tem vontades. É mostrar que quem estiver atrás daquela mulher vai ter que trabalhar muito. Eu diria que é até uma questão de empoderamento, não sei se é a palavra certa para usar, mas é com muito respeito e muito carinho. Tanto é que tem muitas mulheres que gostam do meu trabalho, em especial a minha esposa que é grande influência do meu trabalho”, destaca.

Em exclusividade para a PLAYBOY, Bräo apresenta a capa do livro, que simboliza tudo aquilo que ele quer dizer por “bad women” “Ela é exótica, erótica e complexa. Não está ali para os homens, está ali para ela e eu acho que o desenho que escolhi para a capa transmite exatamente isso: ela é dona de si e de seu próprio corpo”, finaliza.

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