Héloa apresenta seu primeiro álbum intitulado Eu

A brisa do litoral e o concreto de uma cidade grande são duas presenças marcantes no primeiro álbum da cantora sergipana Héloa, Eu. Um verdadeiro autorretrato que mistura as diversas faces da cantora, que afirma viver em constante transição, cada música do CD a ajudam a contar uma pequena parte de suas transformações.

É inspirada nas inúmeras vezes que viu o nascer e o pôr-do-sol de Aracaju, sua cidade natal, que parte de seu CD foi desenvolvido. Em um processo de conexão intenso, as referências e nuances aparecem na suavidade do canto, no timbre, nas composições e nas texturas das canções.

“Esse disco é um álbum que permeia entre a brisa e o concreto. A música ‘Amanheceu’, por exemplo, celebra o surgimento de um amor que vê o sol nascer na praia, às 5 horas da manhã. Coisas que só quem viveu no litoral, como eu, pode sentir.  Por várias vezes, a saudade do som e do horizonte do mar foram fundamentais em todo esse processo de encontro com esse ‘Eu’”, destaca.

Apaixonada pela música brasileira, a cantora é influenciada, principalmente, pela música romântica e pelo cancioneiro popular nordestino.  Para produzir o álbum, ouviu e respirou a poesia e simplicidade de artistas como Alceu Valença,  Geraldo Azevedo, Gal Costa, Hyldon, Tim Maia, Ângela Roro, Geraldo Azevedo, Caetano, Maria Bethânia, Amelinha, Maysa Dominguinhos, Wilson Simonal e muitos outros.

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Héloa se banha de dourado, inspirada também em Aracaju, no clipe de Calei, primeiro single de seu álbum Eu (Foto: Divulgação / Larissa Bione)

São Paulo sensorial

Héloa mora em São Paulo há mais de um ano e conta que a mudança também foi fundamental durante o processo de criação de seu disco. Para ela, poder estar em uma cidade cosmopolita que responde arte, a colocou em contato com diversas linguagens e artistas que a inspiraram durante o processo.

E não foi apenas a música que a estimulou nesse processo, a dança, o teatro, as artes visuais e as linguagens também fazem parte de sua formação como artista. “Pude ampliar o meu olhar e ter uma vivência muito sensorial nesse processo de produção e imersão. Encontrei gente do Brasil todo, que, assim como eu, aprenderam a desfrutar desse universo multicultural que São Paulo é. Esses vários sotaques estão presentes no disco…  desde aqueles que fizeram parte dele, em sua maioria nordestinos residentes em São Paulo, até a escolha de cada canção”, acrescenta.

Diante de tantas influências artísticas, Héloa destaca que diferente de seu primeiro EP (Solta, lançado em 2013), Eu é uma arte mais forte, densa, com mais imersão e pesquisa, resultado de uma produção madura e feita sem pressa.

“O EP foi meu primeiro trabalho como cantora e compositora, ele possui apenas canções minhas e uma produção mais simples, foi um momento de liberar algo que estava guardado há anos e que eu tinha muita vontade de registrar. Ele é mais tropical, colorido, verborrágico, autobiográfico e reflete muito o que eu sentia no auge dos meus 22 anos [risos].”

Mais intérprete e menos compositora, Héloa garante que o álbum fala por ela e de seu processo de amadurecimento como artista. O trabalho, que estará disponível para download e streaming, contém obras inéditas e também releituras de clássicos como “Caravana” de Geraldo Azevedo e Alceu Valença, e Crua de Otto.

Artistas como João Leão, Luê, Eduardo Escariz, Allen Alencar, Victor Bluhm, são alguns dos nomes que contribuíram com diversidade da obra, enquanto Daniel Groove e João Vasconcelos assinam a produção musical.

O que esperar dessa nova produção? “Um álbum de uma artista em movimento, em constante mudança e amadurecimento. Em busca desse ‘Eu’. É um trabalho de conexão, altamente sensorial”, garante a cantora.

O álbum será lançado no final do mês e o primeiro single de trabalho é a música Calei. Ouça abaixo!