Doutor Estranho entre o surrealismo e o clichê da Marvel

Após trazer aos cinemas heróis “desconhecidos” como o Homem Formiga e os Guardiões da Galáxia, a Marvel ampliou a franquia de filmes com a história de Stephen Strange, o Doutor Estranho, que chega aos cinemas amanhã, dia 2.

Ao contrário do que se pensa, o personagem aparece nos gibis desde 1963. Porém, o Doutor Estranho não tem a mesma fama de outros personagens da franquia como Homem-Aranha, Hulk ou o Homem de Ferro que, inclusive, já ganharam filmes. Dessa forma, a maior expectativa vem dos fãs de HQ que imaginam como deveria ser o enredo.

A tarefa de mostrar a magia por trás do super-herói, era mais complicada que se pensava. Apesar disso, o filme começa de uma forma surreal: prédios se abrindo ao meio e magias repletas de ação. É preciso ter fôlego para não perder o ritmo. Trazer um personagem novo da complexidade do Doutor Estranho, que para muitos é o mais poderoso da franquia, implica em explicar elementos do universo fantasioso da história, além de apresentar um novo personagem sem deixar falhas ao longo da trama.

Doutor Estranho tem um visual impressionante e não seria exagero dizer que é surpreendente. As cenas de ação, incluindo os combates entre heróis e vilões, são boas. Porém, a introdução do universo da magia é mais importante. E não poderia ser diferente, já que muitos fãs sonhavam com os cenários surrealistas e alternativos que ganharam vida a partir dos gibis da década de 60.

O filme se torna mais interessante e supera as expectativas pela boa atuação de Benedict Cumberbatch. O ator inglês que interpretou o investigador Sherlock Holmes na série Sherlock dá personalidade a Stephen Strange, com momentos de sarcasmo e bom humor. Por isso, Doutor Estranho não fica devendo nada a outros colegas da Marvel, como o excêntrico Robert Downey Jr.

Apesar da grande atuação do elenco, o que fica presente é a incompatibilidade de alguns personagens em relação aos quadrinhos. Nos gibis, quem assume o papel de mentor de Strange é um homem asiático. No longa-metragem quem faz o papel de “Anciã” é Tilda Swinton, uma mulher britânica, o que deixa a personagem um pouco distante do enredo.

Doutor Estranho conseguiu fugir um pouco do clichê dos filmes da Marvel com alienígenas e repetição dos heróis já consagrados na franquia. O filme ganha importância pelos efeitos visuais e por apresentar as dimensões paralelas de forma impecável. No entanto, em momentos que o expectador espera um enredo mais denso, como o embate entre Stephen Strange e Kaecilius, algumas piadas e cenas sem muito sentido quebram o ritmo. Além disso, a tradicional história do aprendiz que se rebela e se torna o vilão é repetitiva.

Quem for assistir ao mais novo filme da Marvel terá as expectativas superadas, mas nada emocionante. Sobretudo, Doutor Estranho é um grande desafio de perspectiva e compreensão do imaginário. A história é complexa e dá  espaço para outras sequências do herói, o que pode transformá-lo em mais um filme de sucesso.

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