Finalizações e o grande espetáculo no UFC São Paulo

O último UFC do ano em terras brasileiras ficou marcado, sem dúvidas, por grandes atuações, mesmo que o resultado da luta principal entre Ryan Bader e Rogério Minotouro não tenha agradado ao público que foi até o ginásio do Ibirapuera, na noite deste sábado, em São Paulo. O grande espetáculo proporcionado pela franquia americana de lutas de MMA não costuma fazer feio fora de casa e trouxe aos brasileiros a melhor experiência do mundo das lutas.

O card preliminar começou mais cedo, às 21 horas, e o público ainda estava se acomodando nas cadeiras da arquibancada do ginásio. Os ingressos não se esgotaram até o começo da noite, porém, conforme as lutas principais foram se aproximando, mais gente chegava e, assim, a torcida aumentava.

O icônico apresentador de UFC Bruce Buffer (Foto: Erik França)

O icônico apresentador de UFC Bruce Buffer (Foto: Erik França)

Das seis primeiras lutas, todas com brasileiros, foram quatro vitórias nacionais, incluindo algumas polêmicas e belas finalizações. Como se fosse o sino que o juiz toca para dar início a luta, a torcida também gritava “uh, vai morrer” para provocar ou intimidar o adversário estrangeiro em todos os confrontos até o final da noite.

Mas isso não foi eficaz, já que na primeira luta da noite, pela categoria meio-pesado, o inglês Darren Stewart finalizou o Francimar “Bodão” sem qualquer dificuldade. Ainda no primeiro round, o brasileiro reclamou de um golpe irregular e ficou esperando a intervenção do árbitro, mas ela não veio e Stewart foi para cima de Bodão. Muitos ficaram sem entender o que acontecera e, mesmo após receber vaias, o inglês caiu na graça da torcida que o aplaudiu vigorosamente. O clima dentro do ginásio demorou a esquentar, e só veio com as duas vitórias seguidas de Pedro Munhoz, que finalizou Justin Scoggins com uma guilhotina após o norte-americano escorregar no tatame, e Luis Henrique KLB também em finalização contra Christian Colombo.

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Darren Stewart provocou a torcida após a vitória contra Francimar Bodão. (Foto: Erik França)

Na sequência, pela categoria peso-galo, Johnny Eduardo precisou dos três rounds para finalizar Manvel Gamburyan. O brasileiro foi bem na luta e finalizou o armênio com uma sequência de golpes. Marcos Pezão, no entanto, não teve a mesma sorte na sequência e foi finalizado através de uma guilhotina do russo Gadzhimurad Antigulov com 1 minuto e 7 segundos de luta.

A noite também ficou marcada por uma história de superação. Ao som de Rocky Balboa, Cezar Ferreira, o Mutante, foi apresentado para a torcida, que enfim enlouqueceu e vibrou com a entrada do brasileiro no octógono. O tempo fora dos rings por lesão não diminuiu a habilidade do lutador que impôs um ritmo forte contra Jack Hermensson. No terceiro round, “Mutante” conseguiu a queda e, trabalhando bem o jiu-jitsu, finalizou o sueco através do katagatame.

Cesar Mutante aproveitou a sua melhor técnica para finalizar Jack Hermansson (Foto: Erik França)

Cesar Mutante aproveitou a sua melhor técnica para finalizar Jack Hermansson (Foto: Erik França)

As lutas principais

Diferentemente do que aconteceu na primeira sequência de lutas, o card principal ficou marcado por lutas mais equilibradas e quatro dos seis combates foram decididos pelos juízes. No primeiro deles Sérgio Moraes enfrentou Zak Ottow e, mesmo que tenha se saído melhor nos dois últimos rounds, não encontrou facilidade no confronto. Essa foi a primeira luta dele em casa e a trocação intensa e as boas quedas deram à vitória ao brasileiro. No final da luta, Serginho não poupou juízes e organizadores do UFC ao falar que não concorda com certas decisões e que quer mais chances de enfrentar os principais lutadores da categoria.

Já se passava das 2 horas manhã quando Warlley Alves foi castigado pelo forte e habilidoso Kamuru Usman. O nigeriano, que venceu o Ultimate Fight dos Estados Unidos, impressionou boa parte dos expectadores que lotavam a arquibancada. O brasileiro tentou se recuperar, mas não foi pareô para Usman, que provocava cada vez mais e mostrou o quão marrento pode ser um lutador de UFC. Thales Silva, na terceira luta do card, também saiu derrotado do ringue após boa atuação do polonês Krzysztof Jotko.

Superioridade comprovada

Os melhores momentos da noite foram as vitórias de Claudinha Gadelha, na categoria peso-palha, e Thomas Almeida, o Thominhas. A brasileira venceu a norte-americana Cortney Casey por decisão unanime dos juízes. As quedas foram suas armas principais, mas ela também se saiu melhor nas trocações, indo para cima de Casey sem nenhum receio. Por conta disso, a lutadora venceu por decisão do júri, que deu 30-27 nos três rounds.

Já Thominhas brilhou e teve uma atuação de gala. O brasileiro se recuperou após ser derrotado por Cody Garbrandt, em maio e perder a invencibilidade de 21 lutas. O paulista entrou ovacionado pela torcida e não fez por menos dentro do octógono. A boa sequência de golpes anulou completamente Albert Morales, que, sem conseguir reagir, foi massacrado por Thominhas. A chuva de cruzados e diretos obrigaram o árbitro a encerrar o confronto no começo do segundo assalto.

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Thominhas Almeida confirmou a expectativa e venceu Albert Morales no UFC Fight Night (Foto: Erik França)

O revés de Minotouro

Muitas vezes o melhor fica para o final, porém o gosto amargo da vitória de Ryan Bader certamente ficou entre os torcedores que foram torcer para Rogério Minotouro. O norte americano precisou de dois rounds para nocautear o adversário e pôr fim a mais uma noite de lutas. Essa foi a segunda vitória de Bader contra Minotouro, e, diferente do que ocorreu em 2010, quando os dois se enfrentaram pela primeira vez, o americano não precisou esperar pelos pontos dos juízes.

Bader entrou de forma eletrizante na luta e castigou Minotouro com fortes socos e golpes ao longo do primeiro round. Além disso, a rápidas transições de Bader, no melhor estilo All-American, impossibilitaram qualquer reação. O brasileiro seguiu pior na luta e quase foi finalizado no começo do segundo round, mas resistiu até quando deu. Muitos torcedores gritavam forte para tentar motivar Minotouro, porém o apoio foi em vão. Aos 3 minutos e 20 segundos de luta o árbitro brasileiro interrompeu o duelo pois Bader aplicava uma chuva de socos no adversário que já estava combalido.

Quando o anfitrião de lutas do UFC levantou o braço esquerdo do americano, o sentimento no ginásio era de desapontamento. Apesar disso, o que fica ao final de mais um evento grandioso como este é a torcida pelo brasileiros que tentam se recuperar no cenário do MMA mundial, depois de grandes nomes trazerem o cinturão das mais diversas categorias para o Brasil.

Rogério Minotouro sofreu a segunda derrota para o americano Ryan Bader (Foto: Erik França)

Rogério Minotouro sofreu a segunda derrota para o americano Ryan Bader (Foto: Erik França)

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