Leitor do Mês: Emanoel Quartiero e o amor intenso pela PLAYBOY

A paixão de muitos fãs pela PLAYBOY é algo difícil de explicar, mas fácil de compreender. Alguns deles começaram suas coleções há muitos anos, na juventude ou na adolescência. Este ano ficou marcado pela nova fase da revista e 2016 não poderia acabar sem mais uma história de quem acompanha de perto a trajetória da PLAYBOY.

Emanoel Quarteiro, de 21 anos, mora em Florianópolis, Santa Catarina e, mesmo jovem, possui uma coleção de peso. Mas não foi só pelas fotos que Emanoel se apaixonou pela revista. “Desde que vi pela primeira vez uma edição em papel de PLAYBOY, me encantei não apenas com as musas da capa ou com seus lindos ensaios, mas também com os conteúdos. ”

Emanoel é ator e bacharel em biblioteconomia. Preocupado com a organização de livros e revista, ele catalogou a coleção da PLAYBOY com um software para facilitar a busca das edições. “Todas as edições recebem um número de classificação contendo o ano, seguido do mês e o do nome de capa (EX: 2012-8 Cleo P.) Quando quero fazer uma consulta recupero pelo nome o registro e busco o exemplar na pasta. Usar esse sistema de organização facilita muito a vida. ”

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A coleção catalogada do leitor do mês

 Como foi o primeiro contato com a revista?

A primeira vez que vi uma capa de PLAYBOY foi durante um passeio pela rua, onde observei exposta em uma banca de jornal a capa de agosto de 2004, que trazia Mel Lisboa. Nesse primeiro momento apenas pude admirar a capa e conhecer a existência da revista. O contato efetivo viria anos mais tarde. Sabemos hoje que a internet significa praticamente uma das maiores formas, ou provavelmente já a maior, de distribuição de conteúdo e, o fato de ter nascido em uma cultura digital já consolidada tornou inevitável meu primeiro encontro com um ensaio da revista em meio online.

Quando o relacionamento com a revista se tornou mais “sério”?

Em 2007, quando tinha 12 anos, passava as horas vagas fazendo buscas quaisquer pelo Google e, em uma dessas horas me deparei com uma foto do ensaio da Juliana Paes (Maio, 2004). Foi um êxtase total. Também foi um convite para ver o restante do ensaio. Desse dia em diante passei a buscar por ensaios de estrelas que já sabia que haviam sido capas e, acabei encontrando um site que continha uma galeria com as fotos de todos os ensaios de PLAYBOY desde 1975, quando ainda se chamava “Revista do Homem”, até as capas daquele momento. Achei aquilo maravilhoso e continuei acessando ao longo dos anos seguintes, até o momento em que o site eliminou o conteúdo. Até 2009, passei a acessar apenas os ensaios que me interessavam e apenas pela internet. Mas foi em janeiro de 2010, com 14 para 15 anos de idade, passando o verão junto a minha família, que minha história com PLAYBOY começou a ficar mais séria e envolvente, digamos assim.

Qual foi a capa que mais chamou a atenção?

Em uma ensolarada manhã de verão, ao tomar o caminho da praia, meu trajeto pela rua foi pausado em frações de segundo quando meus olhos foram atraídos por uma fotografia de um cachorro tentando arrancar a calcinha do biquíni de uma linda e desesperada moça. Era Juju Salimeni estampando a capa de janeiro de 2010, em uma foto inspirada na logo de uma marca de protetor solar.

Mesmo já tendo tido vontades anteriormente, já que era e ainda sou um “patrulheiro do suporte impresso” e de outras formas, foi apenas naquele momento que gritei internamente “Eu preciso dessa revista! A hora é agora. Vou ter que comprar essa edição de papel” [risos]. Com receio de que não vendessem o exemplar por causa da minha pouca idade, passei as noites e semanas seguintes bolando um plano que fosse infalível, até que enfim decidi: “vou deixar meus longos cinco milímetros de barba e bigode crescerem. Quando for a banca de jornal usarei óculos escuros e comprarei uma pilha de edições de outras revistas, serão tantas revistas que o dono da banca nem vai se dar conta se passou uma revista adulta ou não” [risos]. E assim fiz. Para despistar, diversifiquei a compra. Foram revistas de fofoca, jogos de palavras cruzadas, revistas de outros gêneros e, no meio delas a edição 416, com Juju Salimeni. Repeti o mesmo esquema no mês seguinte para obter a rainha de bateria Renata Santos e uma edição especial de dois meses anteriores ainda em circulação.

Você se identifica como um eterno fã da PLAYBOY?

Desde que vi pela primeira vez uma edição em papel de PLAYBOY, me encantei não apenas com as musas da capa ou com seus lindos ensaios, mas também com os conteúdos. A revista passou a ser meu guia e passatempo favorito. Lia, mandava perguntas para o “Playboy responde, caçava o coelhinho escondido em cada capa e informava seu paradeiro e, cheguei até mesmo a enviar “piadas”, mas sempre busquei frequentar a seção “Leitor do mês”. Gostava muito de dar minha opinião sobre os ensaios, reportagens e entrevistas publicadas em cada número. Nunca deixei de escrever um mês sequer a revista desde 2010 até 2015, quando deixou de ser publicada pela Editora Abril. Tenho comentários publicados em pelo menos 30 edições nesse período.

Depois do encantamento inicial, como você começou a colecionar a revista?

Mesmo tendo iniciado minha coleção em 2010, queria muito ter as outras edições vistas antes só em meio digital. Foi quando comecei a vasculhar sebos. Levei alguns anos para conseguir minhas edições favoritas e juntar outras que tinha interesse. Hoje ainda permaneço visitando esses lugares. Contudo, também fiz buscas nas próprias bancas de jornal para achar edições mais antigas. No Rio e em São Paulo, por exemplo, encontro edições intactas, remanescentes depois do período de venda regular (como o caso da edição 349 – Mel Lisboa, que esperou por mim durante dez anos).

Caiu a ficha de que você se tornou um apaixonado pela PLAYBOY?

Anos atrás, percebi que realmente havia me tornado um fã da revista. Consultava os blogs dedicados a PLAYBOY todos os dias, queria saber quais poderiam ser as próximas estrelas de capa, mandava e-mails dramáticos pedindo convites para ir a uma festa de lançamento ou conhecer a redação da revista, consultava até mesmo os dados relativos às vendagens todos os meses, divulgada no PubliAbril, para comemorar o sucesso obtido pelas edições. Sempre fiz parte do time PLAYBOY sem nunca ter feito, ou sem nunca ter integrado o time da publicação.

Como você utiliza a internet para pesquisar e acompanhar ainda mais a PLAYBOY?

Na internet, além de acompanhar as informações da PLAYBOY Brasil, buscava também por edições estrangeiras da revista, sobretudo quando ensaios publicados aqui eram vendidos para as publicações do exterior. Achava interessante comparar as diferentes perspectivas e, percebia que algumas das fotos não haviam sido escolhidas para publicação na edição brasileira. Me recordo que até comentava os ensaios e, um comentário que escrevi sobre as fotos do ensaio da Juju Salimeni foi publicado na PLAYBOY Argentina. O título dado ao meu microtexto galanteador foi “El amigo brasileño”. Mesmo tendo comprado apenas uma edição em papel da PLAYBOY  Estados Unidos, confesso que ainda tenho planos ou interesse de expandir e internacionalizar minha coleção.

O que seria internacionalizar a sua coleção?              

Nesse embalo estrangeiro, quero citar uma iniciativa que achei interessante envolvendo o nome PLAYBOY. Bem, os recursos tradicionais de marketing usados pela revista em todo o mundo são conhecidos, como a organização de festas e outros eventos, a própria publicidade impressa e os canais de TV pagos. Mas achei interessante também uma forma de divulgação que usava o nome da publicação e fugia do contexto comum, que foi a gravação da série The PLAYBOY club, transmitida pela NBC. Assisti aos capítulos transmitidos e esbravejei em saber que a série foi cancelada depois do terceiro capítulo.

Você tem algum material além das revistas?

Outro produto da PLAYBOY Brasil no campo do vídeo, eram os DVDs com os melhores making-ofs dos ensaios fotográficos das estrelas das edições regulares e especiais. Tenho os cinco últimos volumes. Além disso, também tenho uma fita cassete com um filme sensual de uma estrela de capa, que encontrei na pré-adolescência em casa, levantei as hipóteses de que pudesse pertencer a meu pai ou algum tio, mas achei melhor não investigar e me apoderei do item. Hoje é minha.

Como é a sua coleção?

Bem, minha coleção de PLAYBOY ainda é discreta. Tenho quase 200 exemplares apenas, o que inclui edições regulares, com capas alternativas, edições especiais. Cuido muito bem delas. Armazeno as edições em plásticos e as acondiciono em pastas e, importante, sou ciumento!

A sua profissão está bem próxima do mundo editorial. Como isso ajuda na coleção?

Por ser bacharel em Biblioteconomia sou obrigado a prezar pela recuperação rápida da informação e, a menos que eu quisesse rasgar o diploma [risos] senti que essa tarefa deveria começar em casa. Resolvi organizar meu acervo. Cataloguei e classifiquei as revistas e alimentei um software para gerenciamento de acervo. Todas as edições recebem um número de classificação contendo o ano, seguido do mês e o do nome de capa (EX: 2012-8 Cleo P.). Anoto também o número da pasta que está o exemplar, que na prática é o que direciona minha localização. No software preencho com o nome da capa e o entrevistado do mês . Quando quero fazer uma consulta recupero pelo nome o registro e busco o exemplar na pasta. Usar esse sistema de organização facilita muito a vida.

Dia desses, estava em discussão em uma aula de uma disciplina que faço, sobre Literatura e Cinema, sobre o cinema produzido em Cuba, como o caso específico da entrada de diretores soviéticos no país durante a guerra fria, como Kalatozov (que produziu “Soy Cuba”), e foi impossível ver e falar sobre Havana sem me lembrar de Nanda Costa em seu ensaio épico (Agosto, 2013). Quando cheguei a casa, localizei logo o exemplar e revi.

Como fã que acompanha de perto as publicações da revista, o que você acha da da nova fase da PLAYBOY?

Fico muito feliz de poder prestigiar a transição entre formatos ou a mudança de aspectos de PLAYBOY. Acredito que assim como a publicação “antiga”, a nova fase de PLAYBOY continuará me encantando por pelo menos mais quarenta e tantos anos.

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Emanoel Quarteiro com a edição da Nyvi Estephan