Rogue One: a história que estava faltando no mundo Star Wars

Rogue One: Uma história Star Wars, o novo capítulo da tão aclamada série Star Wars, é um filme que vai agradar os expectadores de primeira viagem, mas principalmente os fãs que já esperavam por algo a mais. Emocionante e, em certo ponto doloroso, a história completa uma boa parte do que acontece em uma galáxia muito distante. Ainda assim, novos conflitos e perspectivas são revelados no que diz respeito ao Império .

O diretor Gareth Edwards fez nesse filme algo que dificilmente o expectador iria encontrar nos episódios anteriores. Cenas de ação mais reais e intensas trazem à tona o universo rebelde que foi pouco desenvolvido no passado. Dessa vez, realmente, é possível sentir a força do Império. Os ataques dos AT-ATs em terra e até mesmo os Destroiers no espaço foram bem produzidos e dão a sensação de que é realmente preciso temer o lado negro da força.

Outra diferença significativa que mostrou o lado mais humano de Star Wars é que, ao invés de sabres de luz e duelos fantasiosos em grande quantidade, os personagens se aproximam mais da realidade. A noção entre o bem e o mal, trabalhada de forma constante nos outros filmes perdeu seu sentido, pois os heróis nessa nova versão apresentam contradições e conflitos pessoais.

Mesmo com a preocupação central de mostrar o mundo paralelo da história, sobretudo por se tratar de um spin-off, não ficam de fora personagens que remetem ao universo Star Wars. A escolha do elenco foi certeira, mesmo que nenhum deles tenha a mesma grandeza de seus sucessores (mas isso não faz falta nenhuma!).

Cassian Andor, o capitão da Aliança Rebelde cheio de dilemas pessoais, Chirrut Îmwe, o monge que usa Força e o novo droide que se destoa dos clássicos R2-D2 E C-3PO são os principais personagens. A única falha, no entanto, que é Jyn Erso, interpretada por Felicity Jones, se esconde entre os outros personagens do grupo de Rebeldes, cuja missão principal envolve o encontro com seu pai, Galen Erso, o responsável pela construção da Estrela da Morte. Apesar disso, fica claro a “missão” de cada um deles na trama, o que, inclusive, torna-se uma jornada de aceitação do próprio destino que transcende suas vidas.

© 2016 Lucasfilm Ltd.

Orson Krennic, Diretor da Estrela da Morte, é o novo vilão da série (Foto: Divulgação/Disney)

Emoção do começo ao fim

Rogue One é um daqueles filmes de guerra que é difícil desgrudar o olho da tela. O roteiro é bem construído, ainda mais pelo cuidado nas transições de efeitos visuais nas lutas ou em ataques aéreos. O desafio de inserir o novo episódio na atmosfera dos anos 70 e 80 usando a tecnologia de ponta foi muito bem superado. Rogue One superou a expectativa do que estava disposto à apresentar.

O novo Star Wars também se mostra extremamente atual. Assim como no Episódio VII: O despertar da Força, em que questões sociais vem à tona – como questões de gênero e preconceito, o novo filme mostra a sociedade cada vez mais polarizada na qual vivemos. Rogue One apresenta lados políticos controversos até mesmo na Aliança Rebelde: escolhas que talvez os combatentes fossem obrigados a seguir, embora descordassem. Mesmo assim, o filme defende veemente a luta por um ideal, seja ele coletivo ou individual.

Rogue One acontece antes do “Episódio IV: Uma Nova Esperança” e preenche muito bem a lacuna que ficou entre os filmes. Mesmo assim, ele supera e muito a necessidade de explicar o porquê das coisas. A principal aparição é mesmo de Darth Vader. A pequena indicação no trailer de que ele iria aparecer foi muito mais intensa e, mesmo que em poucos minutos, engrandeceu ainda mais o personagem.

Algumas associações são feitas de forma quase instantânea, sobretudo para aqueles que lembram de cor e salteado o início e o fim de cada sequência. Mesmo assim, o sentimento de nostalgia é direto. Rogue One mostra que há muita coisa além dos tradicionais filmes da saga. Se desse para traduzir o filme inteiro em uma só palavra, ela seria esperança. Mas calma, isso já foi dito nos trailers, e portanto não é nenhuma novidade, porém é realmente com essa sensação que o expectador sairá do cinema.

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