A fotografia intimista de Larissa Dare

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  • Redação

A paulistana Larissa Dare transformou o significado da fotografia feminina com muita sensibilidade e técnica através das lentes. Ela começou cedo, aos 16 anos se matriculou em seu primeiro curso de fotografia. Mais tarde ingressou na escola Panamericana de Artes. Hoje, aos 24 anos, Larissa dá Workshops sobre a arte de fotografar e mostra como o feminismo está presente na arte de fotografar o corpo.

Seu estilo intimista de retratar o nu e de valorizar a mulher faz parte de como ela enxerga a profissão. “O conceito é formado de acordo com a identidade da pessoa, a minha e uma série de coisas intimas que ela compartilha, como por exemplo, o motivo dela fazer o ensaio e o que ela quer passar com as fotos”, conta. Em entrevista para a PLAYBOY, Larissa contou momentos marcantes da vida e carreira. A fotógrafa está na sessão Portfólio da edição 493.

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PLAYBOY Como você começou a fotografar?
Larissa Dare – Quando eu estava no primeiro colegial do ensino médio uma amiga me chamou para fazer um curso. Eu estava passando por um momento bem difícil na minha vida. Estava entrando em depressão. A minha amiga disse que tinha interesse e gostava de fotografar. Eu topei, mas sem pretensão de tornar isso uma carreira. Eu fiz o primeiro curso e depois outro no ano seguinte e gostei muito. No final do ensino médio eu resolvi me matricular em um curso formador de mais tempo na Belas Artes. A partir disso, fiz vários cursos e comecei a trabalhar na área enquanto cursava a faculdade.

PLAYBOY Como você descobriu que era isso que gostava?
Larissa Dare – Logo no primeiro curso eu fiquei bastante apaixonada pela ideia. No começo, minha mãe ficou um pouco receosa por que antigamente, há uns 7 ou anos 8, a fotografia não era o que é hoje. As pessoas tinham um pouco de receio de falar que trabalhavam e viviam da fotografia. Ao contrário do que era antes, hoje em dia, você consegue encontrar cursos e etc. Aos poucos a minha mãe percebeu o quanto eu estava realmente ligada na fotografia e disposta a entrar nessa profissão. A fotografia me ajudou para sair da depressão por que era o único motivo pelo qual eu levantava todos os dias. Eu passei a ter certeza do que queria. Na época, a minha fotografia era muito diferente do que é hoje. Eu usava muito preto e branco e os meus projetos estavam relacionados com a melancolia.

PLAYBOY Como foi o seu primeiro trabalho com fotografia?
Larissa Dare – O meu primeiro trabalho foi um book feito em um estúdio da Belas Artes.  Uma conhecida minha queria fazer um book. Eu não tinha nenhuma noção do que eu queria na vida. Nem que mais tarde iria me especializar em nu e retrato com luz natural. Apesar de não ser a minha praia, eu gostei bastante de fotografar em estúdio com luz artificial. Apesar de que a luz natural dá muito mais liberdade e opções de fotografar.

PLAYBOY Quais são as suas inspirações e referências durante os ensaios?
Larissa Dare – Eu acho que tudo o que vemos, assistimos e ouvimos serve de inspiração. Desde uma imagem ou um pensamento pode ser inspiração para um projeto ou um trabalho profissional. Às vezes tem muito mais coisa do que a internet pode mostrar. Você pode simplesmente passear com o seu cachorro, vê algo inusitado e cria uma ideia para um projeto. Tudo é referência.

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Thayna Britto (Foto: Larissa Dare)

PLAYBOY O que você tenta passar nas suas fotos?
Larissa Dare – Eu deixo muito aberto para o espectador. Geralmente quando vou fazer um ensaio, eu busco conhecer a pessoa antes de tudo. Pergunto todo tipo de coisa que você possa imaginar para entender o motivo dela querer fazer o ensaio. O que ela quer passar com as fotos, que tipo de pessoa ela é e coisas que ela gosta para transparecer toda a personalidade e sentimento da pessoa naquela foto. Esse é o meu objetivo, mas tudo depende do que o expectador vai enxergar, o que varia muito já que ninguém é igual. O conceito é formado de acordo com a identidade da pessoa, a minha e uma série de coisas intimas que ela compartilha comigo. Não é à toa que tantos fotógrafos fazem o mesmo trabalho, mas de formas completamente diferentes.

PLAYBOY Quando você começou a trabalhar com o nu?
Larissa Dare – No segundo ano do meu curso tinha uma pauta sobre o nu. Geralmente essas pautas são muito livres. O professor traz duas modelos e fala para os alunos criarem o que quiser com uma hora de ensaio. No momento que eu montei a produção, trouxe os equipamentos e mostrei a minha ideia para a modelo entrei em outra realidade. Estava completamente focada no trabalho, no conceito do que queria fazer e esqueci tudo o que estava ao meu redor. Foi naquele momento que descobri qual rumo iria tomar na profissão. Acho interessante fotografar a pessoa quando ela está completamente frágil. Eu gosto de resgatar e valorizar as coisas mais íntimas das pessoas.

PLAYBOY Como você lida com a questão do feminismo através das suas fotos?
Larissa Dare – Eu tenho uma relação muito íntima com o feminismo e tento transparecer isso de todas as formas que eu puder. Inclusive, nos workshops que eu dou sobre fotografia, são muito focados nessa questão. Quando uma pessoa se interessa em fotografar nu artístico, quase imediatamente ela vai fazer registro de mulheres nuas. Fica difícil ela sair do que já foi feito com tanta coisa que temos à disposição. Eu tento passar isso para os meus alunos de ter uma cumplicidade muito grande com a pessoa retratada. Apesar de ter um conceito próprio do fotógrafo, é importante compartilhar e receber ideias da própria modelo. É preciso ter muito cuidado, tato e tranquilidade para fotografar uma mulher nua.

PLAYBOY A fotografia é capaz de quebrar estigmas ou pode servir de protesto?
Larissa Dare – Antigamente, a fotografia nua era basicamente feita para homens, o que é uma problemática muito grande. Hoje em dia, as mulheres estão muito mais abertas para fazer fotos nuas e postar sem serem julgadas. Lógico que sempre existe julgamento e sempre vai existir por vivermos em uma sociedade machista. Porém, cada vez mais a mulher tem liberdade para ser o que ela quiser. Isso também está relacionado com a mudança da estética da mulher na sociedade. Ela deixou de ser um pedaço de carne para ser vista como um ser delicado e sutil.

PLAYBOY Você tem vários projetos e séries de fotografia. Qual foi o mais marcante?
Larissa Dare – O projeto que mais me marcou foi o Submerge. O projeto foi selecionado por professores da Belas Artes e foi enviado para um curador renomado da América Latina. Nessa seleção, o curador separa os 20 melhores projetos e pede para o fotógrafo fazer mais registros dele. Foi isso o que aconteceu comigo. Na época, eu fiz o Submerge com uma namorada. Quando o curador aprovou de fato o projeto, eu tinha terminado com a garota. Acabei fazendo essa segunda parte com uma amiga. O projeto faz parte de toda a minha vida dentro da fotografia. A última foto do ensaio é dentro de uma banheira com um líquido branco e a modelo sai respirando de dentro da água. Isso diz muito do que a fotografia é para mim. Ela me tirou de um turbilhão de sentimentos. Foi um projeto que mostrou realmente onde eu estava e o que queria fazer.

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Patrícia Tamura (Foto: Larissa Dare)

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Catharina Bellini (Foto: Larissa Dare)

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Catharina Bellini (Foto: Larissa Dare)

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Catharina Bellini (Foto: Larissa Dare)

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Raquel Bressanini (Foto: Larissa Dare)

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Silvia Carneiro (Foto: Larissa Dare)

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Thayna Britto (Foto: Larissa Dare)

 Confira o trabalho da fotógrafa Larissa Dare no Instagram