The Outs será a voz do rock independente no Lollapalooza Brasil

Formada por quatro jovens que vieram do estilo underground carioca, The Outs é uma promissora banda de rock independente que se apresentará no palco Onix, dia 25, no festival Lollapalooza, em São Paulo.  A banda representa o que há de mais novo na Psicodelia brasileira, estilo musical que viveu seu auge nos anos 60 e 70. O gênero surgiu nos Estados Unidos, sendo uma variante do rock que foi incorporado por várias bandas da época.

Em 2012, já com a atual formação, a banda passou a expandir o seu repertório e mergulhou de vez em projetos que definem o estilo vintage. A influência principal, no entanto, veio de longe. Ainda no início da carreira, Dennis Guedes e Tiago Carneiro receberam um raro elogio de Noel Gallagher, vocalista e compositor do Oasis. A banda inglesa serviu de referência por muito tempo aos cariocas que chegaram, inclusive, a participar de uma disputa de banda cover em 2009, na qual o Gallagher escolheria a melhor performance.

Cada vez mais presente em shows e parcerias com outras bandas, o The Outs vive uma nova fase. Em 2014 a banda foi uma das finalistas do Breakout Brasil, reality show da Sony. Já no ano passado, produziu o seu primeiro álbum completo, intitulado “Precipere”, trazendo 9 músicas inéditas.

Conversamos com exclusividade com Dennis Guedes, guitarrista e um dos criadores da banda. Entre os assuntos da entrevista está a expectativa para o Lolla, o cenário da música independente no Brasil e os próximos passos para o futuro. Há também algumas novidades que a banda promete para o show.

The Outs Palavras Cruzadas (menor)

 

PLAYBOY – A atual formação banda começou em 2012, e você deve ouvir todo mundo falar sobre o elogio do Noel Gallagher. Além da referência direta do Oasis, quais são as bandas que influenciaram vocês?
Dennis Guedes –
 A história do Oasis começou em 2008 por meio do concurso de bandas covers do qual resultou o prêmio em 2009. Nessa época a formação era outra. Eu e o Thiago, meu primo, sempre tocamos juntos desde pequenos. Quando surgiu o YouTube nós já estávamos nesse cenário da música inglesa. A partir de 2006 a gente começou a colocar vídeos covers na internet e foi indo. Isso acabou criando um vínculo muito forte com a banda. Na questão de influência, temos principalmente o “Britrock” como referência. Nós ouvíamos muito na época. A partir de 2012, já com a nova formação, nós passamos a expandir o nosso campo de influência, até que chegamos em outras coisas.

PLAYBOY – Hoje, com mais visibilidade, como vocês adaptaram o estilo próprio, levando em conta uma bagagem cultural do passado?
Dennis Guedes – Quando o Gabriel Politzer, baterista, entrou na banda, ele tinha um estúdio na casa dele. O que facilitou na hora de se reunir e pensar no que realmente seria o som da banda. O que reuniu nos foi mesmo a questão de influência. Desde 2012 até 2014 nós ficamos muito tempo no estúdio estudando sonoridade, gravando e até mesmo fazendo a parte de mixagem. E finalmente chegamos no som que é hoje.

PLAYBOY – Como você vê o cenário da Psicodelia brasileira hoje em dia?
Dennis Guedes – A banda tem uma referência atual bem forte no meio independente que é o Boogarins. Antes disso, a gente já estava acompanhando muito a Psicodelia brasileira. O Tame Impala foi uma banda que trouxe a neopsicodelia e a gente acompanhou desde o início. A questão principal desse movimento é que ele te deixa à vontade para produzir e gravar o próprio som.

PLAYBOY – Como vai ser participar de um evento de grande expressão como o Lollapalooza? Caiu a ficha, faltando menos de um mês?
Dennis Guedes – Agora que está caindo a ficha. Já estamos com um pouco daquele nervoso.  Fizemos alguns ensaios voltados para a apresentação e vamos ter algumas novidades. A expectativa é gigante. Nunca tocamos em um festival grande desse jeito e para nós é muito bom já que somos uma das principais bandas alternativas do festival. Vai ser muito legal representar esse cenário independente brasileiro.

PLAYBOY – A  partir disso, como você vê o cenário do rock independente no Brasil e a importância desse festival para as bandas que estão procurando o seu espaço?
Dennis Guedes – Eu acho que a cena independente no Brasil está crescendo bastante. Cada vez mais tem aparecido bandas procurando se profissionalizar, fazer um bom som e circular no meio. Muita banda já passou pelo palco do Lolla e o festival é uma vitrine para toda essa galera. O legal é juntar vários gêneros para o público que não tem acesso ao conteúdo. O The Outs, por exemplo, não teria chance de se apresentar para tanta gente em um único show.

PLAYBOY – Como foi fazer o show no último dia 17, no Sesc Pompeia, em São Paulo?
Dennis Guedes – O projeto Prata da Casa do Sesc Pompeia é muito bom. Pela segunda vez a gente conseguiu colocar um bom público junto com Mc Inglês, o artista que se apresentou antes. É sempre legal tocar naquele palco porque eles te dão uma boa estrutura de som. E também colocamos a projeção, o que é bem legal durante o show.

PLAYBOY – Como foi a recepção do público em São Paulo?
Dennis Guedes – Na verdade, nós temos tocado mais em São Paulo do que no Rio de Janeiro. O Rio está passando por uma fase problemática em questão de cena independente. Temos muita dificuldade de encontrar bons lugares para tocar, pelo menos com uma estrutura básica de som que vale a pena. São Paulo tem uma procura muito grande por esse estilo de música. Além disso, temos um público muito fiel. É a mesma galera de sempre que assiste aos nossos shows. Alguns deles, inclusive, começaram a tocar com influência do Outs. E isso é uma coisa que não acontece muito no Rio.

PLAYBOY – Em 2014, vocês lançaram o primeiro disco, “Spiral Dreams”, com todas as músicas em inglês. Agora, o The Outs vem como o segundo álbum, “Percipere”, em português. Como foi esse período e o lançamento em 2016?
Dennis Guedes – De 2014 pra cá nós lançamos dois “Eps” e um mini álbum. O “Percipere” é o primeiro álbum nosso. Em 2014 nós participamos do Breakout Brasil, um reality da Sony, e ficamos um mês gravando o tempo todo. Lá dentro nós tivemos o contato mais próximo com o português. O resultado foi o “Ainda me Lembro”, o primeiro single do álbum “Percipere”. Vimos que o público gostou e a ideia funcionou bem. No começo existia uma certa dificuldade de adaptar o idioma com a nossa música. A partir de 2015, eu e o Vinícius começamos a compor bastante e gravamos para ver como seria. Quando foi ver já estávamos com 7 músicas.  A notícia de que a gente estava gravando em português chegou ao ouvido do Rafael Ramos, o produtor da DeckDisc e ele se interessou ao fato de estarmos gravando em português.

PLAYBOY – Os dois discos do The Outs estão disponíveis em serviço via streaming. Qual é o retorno e até mesmo a visibilidade nessa plataforma para bandas independentes?
Dennis Guedes – O streaming veio para substituir um problema que estava acontecendo na indústria musical e ainda está se adaptando. Principalmente na hora de pagar os artistas, embora já venha sendo bastante discutido o repasse de direitos autorais, o que eu acho muito importante. Mas enquanto plataforma para o conteúdo chegar em outros públicos, como as playlists, é um caminho principal. O serviço via streaming já tem a mesma força que uma rádio pequena. Além disso, ele é fundamental para a banda divulgar as datas de show e etc. Cada vez mais isso vai ser importante. O mercado está caçando soluções para sair do problema do download gratuito. É difícil prever o que vai acontecer, mas o streaming já está dando um norte para o cenário musical.

PLAYBOY – Quais são as novidades que o The Outs vai apresentar para o público no Lollapalooza?
Dennis Guedes – Nós estamos ainda definindo qual vai ser o set para o show, mas o que já está certo é que vamos convidar o Marcelo Gross, guitarrista da banda Cachorro Grande. O clima para nós vai ser entre festa e apresentação e ele vai dar uma segurança de palco muito boa. Mas é como eu falei, ainda estamos definindo para onde vai o set de músicas.

PLAYBOY – Quais são os próximos passos depois do Lolla?  Vai ter alguma turnê ou show em outras cidades?
Dennis Guedes – Assim que passar o festival vamos pensar em próximos lançamentos. Nossa principal vontade é conseguir circular e tocar mais em outros festivais bacanas espalhados pelo país. A nossa próxima parada após o Lolla será no dia 08 de Abril, no Festival Noites do Norte, em Manaus. Vai ser nossa primeira vez no norte do país e estamos bastante animados!