Sexo, drogas e mulheres. Sim, estamos falando do filme sobre o Bozo

Confessa: se você tem mais de 30 anos, certamente  já passou as suas manhãs assistindo as palhaçadas do Bozo no SBT (saudosa TVS). Você também já quis escolher qual cavalo ganharia a corrida (branco, preto ou malhado?), escreveu cartas para ele, e se esbaldou com a história de que um de seus intérpretes colocava cocaína no icônico nariz vermelho antes de entrar no palco. 

Agora, certamente você vai querer ir ao cinema assistir Bingo – o rei das manhãs, filme inspirado na vida de Arlindo Barreto, o primeiro intérprete do Bozo no Brasil. E não vai se arrepender.

Embora o nome Bozo (assim como o da Vovó Mafalda, do Papai Papudo e outros) não sejam citados no longa, por causa dos direitos autorais, o filme traz uma bela recriação do palco, do cenário e da atmosfera vivida pelas crianças que eram apaixonadas pelo programa na década de 80. 

O filme

No longa, o palhaço Bingo é interpretado por Vladimir Brichta, além de Leandra Leal, vivendo a diretora do programa que mais tarde se tornou esposa do Arlindo, e Emmanuele Araújo, recriando perfeitamente a jovem Gretchen, então recém chegada à televisão. 

Brichta é um show aparte. Convence como palhaço e convence nas inúmeras cenas dramáticas vividas tanto por Arlindo, quanto por Bingo. Ao contrário de alguns atores, que aparecem mais que o personagem, Brichta some diante do palhaço Bingo, o que é um deleite aos olhos de quem já foi fã do palhaço e procura reconhecer no longa o ídolo de anos atrás. 

Se a história do cara que queria fama, conseguiu, e se perdeu em meio a ela é batida, o entorno, como o filho que passa a sentir falta do pai – que brinca com todas as crianças, menos com ele – e a mãe, antiga estrela da TV que, assim como Arlindo, não se conforma em não estar nos holofotes, garantem o interesse na trama.

Se ainda não ficou claro, vale lembrar que o filme está longe de ser um infantil. Mulherengo, ex-ator de pornochanchada, o astro por traz do Bozo era viciado em cocaína e chegava a apresentar o programa infantil sob efeito da droga. Em algumas ocasiões, no estúdio, era necessário até mesmo um algodão para estancar o sangue em seu nariz. Tudo isso está lá na telona, sem censuras. 

Revendo, agora adulta, as piadas de duplo sentido que o palhaço levava para o palco, as situações que humilhavam algumas das crianças e as coreografias generosas, por assim dizer, que a Gretchen apresentava durante o programa, dá para afirmar que apenas nos politicamente incorretos anos 80 este programa poderia ser o estrondoso sucesso que foi. E sim, eu gostava.  E também participei via telefone, hehehe

divulgação

Dirigido por Daniel Rezende o filme chega aos cinemas no dia 24 de agosto.