Mãe!: diretor Darren Aronofksy vem ao Brasil e fala sobre longa controverso

Por Meire Elen Felix, especialmente para PLAYBOY

Em passagem pelo Brasil para divulgar seu mais recente filme, Mãe!, que foi aplaudido e vaiado no festival de Veneza, o diretor Darren Aronofsky disse entender a divisão de opiniões sobre a obra.

 “Esse é um filme difícil de ser vendido porque não é um filme de gênero. Ele não é terror, não é suspense, mas vai ferrar a sua mente”, explica e completa: “Obviamente quero que as pessoas gostem do filme, mas eu sei que o tema é forte, então, haverá respostas diversas. Algumas pessoas vão gostar. O filme dá vários socos; e se você dá um soco, as pessoas vão dar socos de volta.”

Ainda sobre as diversas camadas de interpretações que o filme permite, a ambientalista, a religiosa ou somente a relação entre o marido e a esposa que têm a casa invadida por estranhos, Darren afirma que todas estão dentro do contexto, mas se incômoda quando dizem que seu filme traz a “violência pela violência”.

“A violência falsa é perigosa. Em Mãe! temos violência, mas é tudo muito real, necessário. É importante mostrar como ela realmente é para servir como alerta, e isso pode chatear as pessoas.”

Aronofsky, que escreveu o roteiro inicial em cinco dias, também revelou que Jennifer Lawrence aceitou rapidamente fazer o filme. “Ela achou que era algo bem diferente do que já tinha feito e, ao mesmo tempo, importante para o que ela acredita. Ela se conectou com a ideia do espírito da casa, de interpretar uma mulher cheia de dons e que está sempre se dando, assim como nosso planeta, que tem vários recursos e beleza.”

Sobre a escolha de Michelle Pheiffer, o diretor revelou que, assim que soube que ela estava voltando a atuar, pensou nela para o papel, já que queria uma atriz que tivesse a malícia necessária para criar um jogo de gato e rato com Jennifer.

Durante a coletiva, o diretor foi questionado se ele acredita que a humanidade ainda tem jeito ou será preciso “explodir tudo” para resolver.  Darren respondeu de forma poética: “Sou otimista. Acredito que ainda não estamos no capítulo final do nosso relacionamento com a mãe natureza.”

Para fechar, a única pergunta que ficou sem resposta foi sobre o líquido amarelo que a Mãe consome durante o filme. “Esse é o único segredo que vou manter. Vou levar para o túmulo.”

Mãe! uma experiência provocativa de Darren Aronofsky

Não vá ao cinema achando que Mãe! é aquele filme que você levará diversos sustos. Se esse for o seu objetivo, escolha outro.

Mãe!, o novo longa do diretor Darren Aronofsky (Fonte da Vida, Cisne Negro e Noé), proporciona uma experiência provocativa e perturbadora ao expectador. Você sofre, se angustia com tudo o que acorre, tenta entender o que é a loucura na parte final e depois de os créditos subirem, você reflete sobre ele. É uma excelente viagem!

A trama gira em torno de um casal, a Mãe e ELE, como são conhecidos os personagens de Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Ela é muito dedicada à casa que está reformando e ao marido. Aliás, chega a ser irritante sua devoção e passividade ao escritor que está com bloqueio de criação. Tudo muda com a chegada de Ed Harris e, depois, sua esposa, a brilhante Michelle Pheiffer, uma mulher provocante que testa Mãe em alguns momentos. Após a aparição da dupla, coisas estranhas acontecem na casa. O máximo que se pode falar do filme sem dar qualquer spoiller é isso. Mas esse resumo não está nem perto de representa o que é o longa.

Darren Aronofsky traz à tela uma crítica em relação ao consumismo, necessidade de adoração, ao cuidado que temos tido com o meio-ambiente, além de uma história bíblica sobre a criação e destruição do mundo (o Velho e o Novo Testamento), mas tudo com sua visão. Quem já viu algo do diretor, deve estar um pouco mais preparado.

Fato é que Aronofsky, além de escolher muito bem o seu elenco, acerta em todos os closes que ajudam o expectador a embarcar na história e viver cada emoção expressada por Lawrence (o filme baseia-se na visão dela). Da passividade a explosão raivosa, ela brilha. A atriz merece destaque por sua versatilidade. Em uma das cenas, chegou a passar mal tamanha a entrega.

Javier também dá a ELE aos olhares frios necessários. A trilha de Jóhann Jóhannsson é impecável e ajuda a construir o clima de mistério na casa. Destaque também para a direção de arte de Isabelle Guay.

Com um elenco de peso, Mãe! é surpreendente.

Minha dica: vá ao cinema com a mente aberta e permita-se viver essa experiência.

Mãe! (2017)
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Direção de Arte: Isabelle Guay
Estréia no Brasil: 21 de setembro de 2017
País: 2017