Carol Xavier: ela vai te levar às alturas. Literalmente!

A manauara Carol Xavier, de 24 anos, identificou na fotografia a possibilidade de romper com antigos princípios que sustentava sobre seu próprio corpo. Quando teve a oportunidade de fotografar com a fotógrafa Sarah Stedille pela primeira vez, conquistou a autoestima necessária para se despir sob o olhar de uma câmera. Gostou do resultado e, desde então, participou de outros ensaios sensuais.  “Mudei muito na questão de me ver como mulher”. Trilhando seu caminho como modelo fotográfica, a jovem reside em Brasília desde 2008.
O convite surgiu como uma brincadeira. Saltar nua de parapente da Pedra Bonita, no Rio de Janeiro. A jovem Carol Xavier, que já havia sido retrada pelas lentes da fotógrafa Sarah Stedile, idealizadora do projeto Nua na Capital, que promove a liberdade e a autoestima feminina por meio da fotografia, topou a proposta do instrutor Joe Voador, que já conhecia o trabalho de Sarah.
Com o desafio aceito, o trio enfrentou preconceito e conservadorismo por parte do Clube de Voo de onde saltariam, impossibilitando a saída da modelo nua desde a rampa. Carol se despiu somente no ar, sendo registrada pela GoPro de Joe. Em seguida, a fotógrafa deu início ao ensaio cedido com exclusividade para a Playboy. O episódio ocorreu um dia após o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
“Fazer esse nu artístico especial, na Semana da Mulher, foi importante para ajudar a quebrar as barreiras culturais que tendem a sexualizar sempre o corpo feminino. Estamos muito felizes com o resultado porque, nossa intenção inicial, era apenas fazer o registro para nosso arquivo pessoal. Até onde pesquisamos, esse foi o primeiro voo livre com uma pessoa nua a ser feito e registrado, explica Sarah.
Sarah Stedile
Mineira, de 33 anos, radicada em Brasília há 16 anos, se tornou fotógrafa em 2016, sempre com foco no nu artístico. Criadora do projeto Nua na Capital, que promove o empoderamento, a liberdade e a sensualidade feminina por meio da fotografia, Sarah utiliza como cenários os pontos turísticos da cidade. A ideia é expandir a iniciativa para outras capitais brasileiras.
Quando conheci a Carol, falamos sobre ela voar de parapente comigo, mas foi quando vi seu material feito pela Sarah, pensei na hora. Por que não voar nua?
Ao comunicar ao clube de voo livre, fui orientado a não fazer, por conta de atentado ao pudor na rampa, denegrir a imagem do esporte etc. Depois de conversar bastante, acertamos os detalhes de como isso poderia ser feito.
O resultado final foi incrível pois as duas são apaixonadas no que fazem e super profissionais.
Dizem que é preciso muita coragem para voar, mas digo que é preciso ter mais coragem ainda para fazer um trabalho de nu artístico, enfrentando todos os preconceitos que ainda existem. Incrível como em pleno 2018, o nu ainda seja um tabu tao grande.
Eu sou apaixonado por fotografia, e no meu trabalho como instrutor de parapente, isso tem muita relevância para os meus clientes, que querem as mais belas imagens. E fazer estas fotos foi incrível, uma experiência nova pra mim.
Foi tudo tao envolvente que no final a Sarah me convenceu a ser fotografado por ela, e o mais legal são clientes agora pedindo para voar de topless. Afinal, o voo é livre.

Joe Voador
Carioca, 41 anos, analista de sistemas, abandonou o escritório para viver do voo livre. Instrutor de parapente, costuma dizer que vende momentos de liberdade e felicidade.

Confira o ensaio:

 

Agradecimentos: Jornalista Bianca Moura